Um cromossomo a mais não importa,

Hoje, pessoas com síndrome de Down são donos do seu próprio negócio, estão à frente de telejornais, chegam as universidades, casam, tem filhos e conquistam a autonomia. Nesse post, mostramos a história de 10 jovens pelo mundo com síndrome de Down, alcançando a autonomia.

 

Kanazawa Shoka – Calígrafa

Shoka é calígrafa, também é conhecida profissionalmente como Shōran. Nasceu na cidade de Tóquio em 1985. Começou a estudar caligrafia aos 5 anos com a sua mãe. Realizou seu primeiro projeto individual, com o tema “O Mundo da Caligrafia”, no ano de 2005. Desde então, expôs seus trabalhos em renomados templos em todo o Japão como Kenchōji (Kamakura), Kenninji (Kyoto) e Tōdaiji (Nara). Realizou sua primeira exibição no exterior em 2015 na cidade de Nova York. Shōran também teve suas exposições individuais nas cidades tchecas de Plzeň e Praga no final do mesmo ano. É coautora de vários livros, incluindo Tamashii no sho (Caligrafia da Alma) e Umi no uta, yama no koe (Canções do Mar, Vozes da Montanha).

 

Ángela Bachiller – Vereadora

Ángela Bachiller em agosto de 2013 foi nomeada pela cidade de Valladolid (Espanha), como primeira conselheira da Síndrome de Down da Espanha, além de ingressar na Câmara Municipal como a primeira vereadora com Síndrome de Down. Antes da vida pública, Bachiller já havia trabalhado por dois anos na Prefeitura da cidade que ela foi eleita como assistente administrativo.

Bachiller sempre foi ativa na vida pública e chegou a declarar como vereadora: “Eu sempre votei desde os 18 anos de idade, mas outras pessoas [na minha situação] nunca conseguiram. Queremos que as leis relativas ao direito de voto mudem”. Elogiada pelos colegas de trabalho na política e pela família foi definida disciplinada e responsável. A nomeação de Bachiller fez manchetes em todo o mundo, e ela recebeu apoio em sua cidade natal desde quando assumiu seu cargo. A decisão do Conselho Municipal de Valladolid coloca a Espanha entre os dois países conhecidos por terem funcionários eleitos com Síndrome de Down, sendo Reino Unido o segundo país. 

 

Matheus Rocha – Atleta

Matheus Rocha tem 26 anos e é de Caxias do Sul (RS). Ele pratica a luta oriental desde os 16 e no ano passado tornou-se faixa preta, a graduação máxima. Após vencer o Campeonato Nacional de Taekwondo, em 2015, o jovem tornou-se o primeiro brasileiro com Síndrome de Down a competir no Mundial. Voltou dos Estados Unidos com três medalhas na mala – duas de prata e outra de bronze – e com a vontade de se tornar um competidor ainda melhor. Matheus participou da websérie Geração 21, e você pode assistir o episódio completo aqui.

Débora Seabra – Professora

Débora é a primeira professora com síndrome de Down no Brasil Ela trabalha com crianças entre 6 e 7 anos na Escola Doméstica de Natal. Em 2013, Débora escreveu o livro, “Débora Conta Histórias” (Alfaguara Brasil), recheado de fábulas infantis que tratam de forma sutil a tolerância, o respeito e a amizade, algo que girou em torno dela por anos, ou seja, teve a criatividade de inspirar crianças com tal livro. A obra reúne histórias que se passam em uma fazenda e têm animais como protagonistas, inspirados em suas vivências pessoais.

Já em 2015, em Brasília ganhou o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, sendo a primeira pessoa com Síndrome de Down a receber a menção honrosa que leva o nome de grandes astros da educação, ela foi considerada exemplo no desenvolvimento de ações educativas no Brasil.

Fernanda Honorato – Repórter

Fernanda dos Santos Honorato, entrou para o RankBrasil em 2014 como a primeira repórter com síndrome de Down do país. Nascida no Rio de Janeiro (RJ), ela trabalha no Programa Especial da TV Brasil desde 2006, mas foi no teatro que começou a se destacar muito antes disso. Contudo, o currículo da repórter não para por aí. Atualmente é dançarina de dança cigana e atleta da Sociedade de Síndrome de Down na modalidade natação. Carioca da gema, a recordista tem muito samba no pé e desfila todos os anos. Foi musa da portela e recebeu das mãos do Príncipe Harry a medalha de Rainha da Bateria da Embaixadores da Alegria. Fernanda participou da websérie Geração 21,  e você pode assistir o episódio completo aqui.

Pablo Pineda – Psicopedagogo

Nascido em 1974, na ciade de Málaga (Espanha), é ator e recebeu o prêmio Silver Shell no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2009 por sua atuação no filme Yo Tambien. No filme, ele intepreta o papel de um universitário com síndrome de Down. Pineda mora em Málaga e trabalhou no município. É formado em Ensino e é bacharel em Psicologia Educacional. Foi o primeiro aluno com síndrome de Down na Europa a obter um diploma universitário. Ao retornar a sua cidade natal, o prefeito da cidade, Francisco de La Torre, o recebeu com o prêmio “Escudo de la Ciudad” em nome do conselho da cidade. Na mesma época, ele promoveu seu filme e dava palestras sobre incapacidade e educação, que apresentava há anos. Pineda atualmente trabalha com a Fundação Adecco na Espanha, fazendo apresentações em conferências sobre o plano de integração trabalhista que a fundação está realizando com ele. Pineda também colabora com a Fundação “Lo que de verdad importa“.

Liane Collares – Atriz e escritora

Atriz de teatro premiada em Brasília, Liane atuou na Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SMIDH) como a primeira pessoa com algum tipo de deficiência intelectual a assumir um posto no órgão. O caso da assessora técnica foi também raro no serviço público em geral. É autora do livro Liane, Mulher como todas as outras. Liane participou da websérie Geração 21, e você pode assistir o episódio completo aqui.

Tathi Piancastelli – Atriz, Escritora e Youtuber

Tathi é a primeira pessoa com síndrome de Down do mundo a escrever e a protagonizar uma peça de teatro profissional. Seu espetáculo “Menina dos Meus Olhos” foi apresentado em Nova York (2013 e 2015), no 30º Festival Internacional de Teatro Hispânico de Miami (2015) e na UNICEF/ONU – Nova York (2016) e conquistou o Brazilian International Press Awards 2016, na categoria Melhor Teatro/Espetáculo nos EUA.  O renomado cartunista Maurício de Sousa criou a personagem Tati, uma menina com síndrome de Down, que circula pela Turma da Mônica, em seus quadrinhos, inspirados em sua história.

Tathi também é estrela da campanha da Inoar, empresa brasileira de cosméticos, que exporta seus produtos para mais de 40 países. É apresentadora do programa “Ser Diferente” (YouTube), com edições em várias nações da Europa e nos Estados Unidos. Ministra palestras em diversos eventos e locais, entre eles, Nações Unidas e UNICEF (NY). Tathi participou da websérie Geração 21, e você pode assistir o episódio completo aqui.

 

Isabella Springmuhl Tejada – Designer de Moda

Nascida em 23 de fevereiro de 1997 na Guatemala, Belita (como é conhecida) é designer de moda. Ela é conhecida por ser a primeira designer de moda a ter síndrome de Down. Seus designs foram exibidos no segmento International Fashion Showcase da Londres Fashion Week em 2016. No mesmo ano, ela foi eleita uma das BBC 100 Women. Springmuhl é a mais nova de quatro filhos. Sua avó materna era uma designer talentosa e exibia talento quando jovem em desenho e confecção de roupas para suas bonecas. Depois de se formar na faculdade como bacharel em Ciências e Letras, ela foi estudar moda. O seu estilo em seus projetos é influenciado pelo folclore guatemalteco. Ela trabalhou com inúmeros artistas guatemaltecos indígenas que são uma influência sobre ela. Faz acessórios, carteiras, ponchos e vestidos, inspirados na cultura de seu país. Seus desenhos são tipicamente vibrantes, com bordados florais coloridos usando velhos tecidos guatemaltecos. A BBC fala de seu projeto: “Ela tem seu próprio processo de design exclusivo. Começa com a escolha manual de autênticos tecidos guatemaltecos de seu fornecedor de confiança em Antígua, que são levados de volta ao ateliê e trabalhados por uma costureira e um bordador especialista, tudo de acordo com as especificações de Isabella.”

 

Madeline Stuart – Modelo

Nascida em 1996 em Brisbane (Australia) é a da primeira modelo profissional com síndrome de Down. Ela apareceu na passarela da New York Fashion Week, e também passou pela semana de moda de Paris, Londres, Runway Dubai, Rússia, semana de moda Mercedes Benz na China e muito outros países. Stuart decidiu que queria ser modelo ao visitar um desfile de moda em Brisbane com sua mãe em 2014. A sua carreira começou em 2015, quando sua mãe começou uma campanha online para garantir um contrato de modelagem, isso levou Madeline a ganhar um grande número de seguidores nas redes sociais, que resultou em dois contratos de modelagem: um com a marca de roupas de fitness Manifesta e outro com a marca de bolsas everMaya. Ela também participou de uma sessão de fotos de noivas para Rixey Manor na Virgínia, e conquistou uma matéria na Vogue.

 

Por Renato Passos e Sarita Mascarenhas